Convívio.Quando lhes mostro os aleijões mentais,as deformidades antropológicas, a dor das vísceras inconformadas,resmungam slogans.
Existe a roupa apropriada, a frase de efeito,a piada pronta,o comentário erudito televisivo,a citação da moda,a receita da vez,o vinho que se harmoniza,o café cultivado a 1268 metros de altura,o chocolate 93% cacau,o chá de erva doce, o doce sem doce,o pó malhado,o crack na bolsa.
A indignação política, as conseqüências históricas,a filosofia de botequim,a sociologia da classe c,a psicanálise de novela e a mídia que tudo revela.
A desgraça da chuva,a palavra dos desabrigados,a insistência dos repórteres, a urgência da notícia,a negação da informação, a limpeza da propaganda.
Anúncio de sabonete,ao fundo Vivaldi,à frente deusa grega,vestindo C&A,calçando azálea,cabelos ao vento,escalando montanhas de neve,riachos transparentes,véus translúcidos,suaves como a brisa que beija e balança.
Balanço na rede meu corpo idealizado,livre da celulite,artrite,conjuntivite,alopecia, furunculose,dermatite seborréia,diarréia e síndrome de pânico.
Sou um catálogo,um glossário,uma bula, um folder dobrado centenas de vezes,um almanaque pré-moderno,um discurso cheio de gerúndios e pretéritos reincidentes,coincidentes, implícitos,ilícitos,intrépidos e serenos.
Aperto meu pulso,procuro as batidas, a pressão diastólica,distante,imperceptível..........já estou morta?Passei do ponto e ninguém me avisou.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
ônibus
Como falar dessa complexidade. Qual o recorte,qual a voz dissonante que arrota goiabada com queijo?
Onde e por que estou nesta indigestão ácida temperada de noz moscada?O que fazer dos intestinos,dos orifícios e da boca oca e despressurizada pela respiração ofegante?
Pequenos trombos explodem na pele e desenham processos sanguineos incontroláveis . O fluxo da vida saindo pelos póros e outras extremidades, no final da linha.
No ponto final do ônibus,desembarcam os passageiros exaustos para qualquer reflexão. De dentro da metáfora,não se percebe os outros deslocamentos que ocorrem no percurso.
As palavras se movimentam com as pessoas na procura de um lugar substantivo. Imóvel, seguro. O ônibus atropela todos. 2010 o ano transporte coletivo.
Onde e por que estou nesta indigestão ácida temperada de noz moscada?O que fazer dos intestinos,dos orifícios e da boca oca e despressurizada pela respiração ofegante?
Pequenos trombos explodem na pele e desenham processos sanguineos incontroláveis . O fluxo da vida saindo pelos póros e outras extremidades, no final da linha.
No ponto final do ônibus,desembarcam os passageiros exaustos para qualquer reflexão. De dentro da metáfora,não se percebe os outros deslocamentos que ocorrem no percurso.
As palavras se movimentam com as pessoas na procura de um lugar substantivo. Imóvel, seguro. O ônibus atropela todos. 2010 o ano transporte coletivo.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
melancias
São tantos os contratempos.Os objetos quebrados e os fatos flutuando junto com as melancias e todos os detritos desta cidade. Fico pasma vendo o mundo na TV.Quem vê tanta notícia?
Vida saudável é com activirus, persistindo os sintomas, um médico deverá ser consultado,realize seus sonhos,apartamento de 50 metros quadrados com quatro suítes,deus foi muito bom comigo,pai soberano não falha,só Jesus salva,salvas-vidas são heróis das praias poluídas,mais branco,mais você,mais chuva,mais amigas do peito,estou colocando esses assuntos a nível de galera,se liga no papel com a natureza,só neve,a força divina,a verdade está na luz,amo muito tudo isso,sua festa vai dar o que falar,um toque de frescor na sua vida,canalize sua força positiva,filosofia do bem viver,múltipla ação,depilação sem dor,sem odor,sem grito, sem pêlo, pelo menor preço,menor energia,energia renovável,energia íntima,energia dos ventos,,moinhos de vento,próxima novela, próximo capítulo,próxima dieta,só melancia,só sementes e caldo magic,aí está o segredo de sua cozinha,no banheiro sempre livre, toma lá da cá, é feijão,é farofa,intestinos na contra mão,tudo na contra mão,na mão direita o controle remoto,na esquerda casseta e planeta. Intervalo,interdito,última notícia.......................apagou a lux ou não paguei a conta,não tenho sabonete? O que me falta senhor? O mundo acabou enfim.
Vida saudável é com activirus, persistindo os sintomas, um médico deverá ser consultado,realize seus sonhos,apartamento de 50 metros quadrados com quatro suítes,deus foi muito bom comigo,pai soberano não falha,só Jesus salva,salvas-vidas são heróis das praias poluídas,mais branco,mais você,mais chuva,mais amigas do peito,estou colocando esses assuntos a nível de galera,se liga no papel com a natureza,só neve,a força divina,a verdade está na luz,amo muito tudo isso,sua festa vai dar o que falar,um toque de frescor na sua vida,canalize sua força positiva,filosofia do bem viver,múltipla ação,depilação sem dor,sem odor,sem grito, sem pêlo, pelo menor preço,menor energia,energia renovável,energia íntima,energia dos ventos,,moinhos de vento,próxima novela, próximo capítulo,próxima dieta,só melancia,só sementes e caldo magic,aí está o segredo de sua cozinha,no banheiro sempre livre, toma lá da cá, é feijão,é farofa,intestinos na contra mão,tudo na contra mão,na mão direita o controle remoto,na esquerda casseta e planeta. Intervalo,interdito,última notícia.......................apagou a lux ou não paguei a conta,não tenho sabonete? O que me falta senhor? O mundo acabou enfim.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
TV
Preciso voltar ao sapato. Sem o calçado fico manca e estes textos, desordenados. Depois de tantas digressões, tenho que segurar a minha história e informar ao leitor por onde estou andando. Talvez eu mesma não saiba,mas isso não importa, o que conta é que a história existe.Meu gancho narrativo é um insólito pé de sapato.Quem quiser saber mais,volte ao oceano Atlântico.Estou dando esta informação para não dizerem que não sou generosa com meus leitores. Exemplo:
Seu texto é fragmentado demais, tudo cabe nele.Fico perdida, catando o fio da meada. A história se esconde atrás de cada objeto e de repente brota de um sapato, ou de uma garrafa? Como assim? Pensa que pode sair por aí dando nome as coisas,tirando leite de pedra e nos assassinando com a navalha de Occan? (para quem não sabe do que se trata é só olhar no Google) Se é assim,também quero um nome,suplico-lhe me batize. Anônima.
Prezada Anônima, não é por falta de nome que você vai se perder no bestiário doméstico. Embora não pareça, a tarefa de nomear é muito complicada.É preciso estancar o sangue das palavras e fixá-las num ponto.Aí tem que rezar e tentar escapar, tanto do clichê, quanto da ambigüidade total. O paradoxo (deixar o leitor em cima do muro) é suportável até determinado momento.A ironia não pode ser piada pronta. As metáforas estão aí enlouquecidas atrás dos publicitários,dos políticos e da mídia de merda. A situação é desesperadora e ao mesmo tempo muito engraçada. Púrpura Alva, talvez seja o seu nome. Um abraço.
Seu texto é fragmentado demais, tudo cabe nele.Fico perdida, catando o fio da meada. A história se esconde atrás de cada objeto e de repente brota de um sapato, ou de uma garrafa? Como assim? Pensa que pode sair por aí dando nome as coisas,tirando leite de pedra e nos assassinando com a navalha de Occan? (para quem não sabe do que se trata é só olhar no Google) Se é assim,também quero um nome,suplico-lhe me batize. Anônima.
Prezada Anônima, não é por falta de nome que você vai se perder no bestiário doméstico. Embora não pareça, a tarefa de nomear é muito complicada.É preciso estancar o sangue das palavras e fixá-las num ponto.Aí tem que rezar e tentar escapar, tanto do clichê, quanto da ambigüidade total. O paradoxo (deixar o leitor em cima do muro) é suportável até determinado momento.A ironia não pode ser piada pronta. As metáforas estão aí enlouquecidas atrás dos publicitários,dos políticos e da mídia de merda. A situação é desesperadora e ao mesmo tempo muito engraçada. Púrpura Alva, talvez seja o seu nome. Um abraço.
monstro
Morava no décimo terceiro andar.Sempre repetia os mesmos gestos: abrir a porta do elevador, apertar no número 13 e subir correndo pela escada.Ao chegar,abria a porta do elevador e respirava aliviado. Ele estava lá.
Depois de dez anos repetindo o mesmo ritual,resolveu enfrentar o monstro. Abriu arfando a porta do elevador e entrou correndo. Ele não estava lá.
Depois de dez anos repetindo o mesmo ritual,resolveu enfrentar o monstro. Abriu arfando a porta do elevador e entrou correndo. Ele não estava lá.
domingo, 29 de novembro de 2009
orelha (texto extraído do livro MAUS escritores)
Somos todos escritores maus. Assassinatos de adjetivos,perseguição implacável aos lugares comuns e sangramentos solenes aos juízos de valor,são rituais que praticamos toda semana. Aprendemos com o guia-mor que a nossa matéria-prima não permite nenhuma complacência,nenhuma arrogância. A ironia, ou desconfiar das palavras,é a condição para que a língua mãe não nos aprisione em sua retórica de dicionário. Não se pode acreditar nas palavras,nem nas metáforas médicas e esportivas que fazem sucesso na modernidade.
Não queremos ensinar nada.
Só queremos nos hospedar no Hotel Trombose, comer o bife do nosso chapeiro,usar o filtro solar da mãe e aproveitar as entradas do silvia-ballet para assistir o quebra-cocos, porque ninguém é de ferro. Puxar as orelhas da Patética da Silva que insiste em dizer que foi amante do bispo do Rosário e aconselhar a todos o manual de sobrevivência para peruas pobres e ricas.
Sem mais, estou indo embora e vou logo avisando,entre duas orelhas, existem várias cabeças,muitas maldades e muitas delicadezas. Tem coisas que não se diz com palavras, mas é preciso agradecer e reverenciar aquele que, puta que pariu, é o responsável por estas mal traçadas linhas. Eita....Marcelino Freire. Perplexa Serena
Não queremos ensinar nada.
Só queremos nos hospedar no Hotel Trombose, comer o bife do nosso chapeiro,usar o filtro solar da mãe e aproveitar as entradas do silvia-ballet para assistir o quebra-cocos, porque ninguém é de ferro. Puxar as orelhas da Patética da Silva que insiste em dizer que foi amante do bispo do Rosário e aconselhar a todos o manual de sobrevivência para peruas pobres e ricas.
Sem mais, estou indo embora e vou logo avisando,entre duas orelhas, existem várias cabeças,muitas maldades e muitas delicadezas. Tem coisas que não se diz com palavras, mas é preciso agradecer e reverenciar aquele que, puta que pariu, é o responsável por estas mal traçadas linhas. Eita....Marcelino Freire. Perplexa Serena
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
livro
Este texto,retirei da antologia Maus escritores e é a biografia de PS. Reproduzo para vocês,porque,ele poderia ser meu. Perpétua Serteza
Meu nome é Perplexa Serena,nascida carioca e perdida em São Paulo. Meu cardápio de maldades,embora seja uma escritora maldita,mal lida e praticamente desconhecida, é muito frugal. Meu grande prazer é fingir que sou surda, às vezes muda e completamente apática. Não tenho opinião formada, não acredito em opinião pública, não publico e me divirto em bancar a tonta. Tenho grande esperança que as tolices, os lugares-comuns e as tragicomédias que escrevo, se transformem, pelas mãos invisíveis do mercado, em arte. Tudo é possível, penso muito sobre isso, uma brecha no significante, uma ideologia, uma moda. Quem sabe?
Meu nome é Perplexa Serena,nascida carioca e perdida em São Paulo. Meu cardápio de maldades,embora seja uma escritora maldita,mal lida e praticamente desconhecida, é muito frugal. Meu grande prazer é fingir que sou surda, às vezes muda e completamente apática. Não tenho opinião formada, não acredito em opinião pública, não publico e me divirto em bancar a tonta. Tenho grande esperança que as tolices, os lugares-comuns e as tragicomédias que escrevo, se transformem, pelas mãos invisíveis do mercado, em arte. Tudo é possível, penso muito sobre isso, uma brecha no significante, uma ideologia, uma moda. Quem sabe?
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