quinta-feira, 17 de setembro de 2009

.coleção

6.contradição,ambiguidades e paradoxos


Recebi o seguinte e-mail:



Sou Patética (substantivo próprio feminino). Acho que por causa do meu nome, homenagem a uma sonata, adquiri hábitos um tanto bizarros. Um deles é a mania de ordem alfabética e de definir as coisas pelo o que elas não são. Por exemplo,arte:

a)arte não é religião, mas pode ser uma revelação.

b)arte não é moralista,mas deve ser ética.

c)arte não é didática, embora se aprenda com ela.

d)arte não é falsa,mas vive da mentira.

e)arte não é marketing,mas precisa do mercado.

f)arte não é teoria,mas almeja o universal.

g)arte não fuma cachimbo,mas pode ser um pipe.

h)arte não é humor, mas definitivamente,é irônica
.
g)arte não precisa do tempo e não abdica da tradição
.
h)arte não é um lugar, pode estar na padaria.

Não chegarei ao fim do alfabeto porque preciso comprar pão, só posso dizer que arte é, com toda certeza, contradição.............ou uma rima não é solução.



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terça-feira, 15 de setembro de 2009

 
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5.nus artisticos (definições de arte)

1 Diante do espelho nua, observo meu pé e estilhaço o vidro. Cubismo
2-------------------------- só enxergo a moldura. Abstracionismo
3-------------------------- vejo um paquiderme prognata. Surrealismo.
4-------------------------- chupo o dedão do pé. Dadaísmo.
5-------------------------- furo os olhos. Barroco.
6-------------------------- defeco sobre flores brancas.Arte Conceitual.
7-------------------------- enfio uma garrafa de coca-cola no cu. Pop art.
8-------------------------- saio correndo. Hiper-realismo.

museu do imaginário

<> Paisagem Humana, arquitetura caipira-vitoriana-barroca e sede oficial do bestiário doméstico,

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

geladeira vermelha, em fundo azul.


A geladeira é mais velha do que eu.Funciona bem, mas tem outra função:congelar clichês.Considero-a a mais importante das instalações da minha casa. Vivo dentro de espaços provisórios.Recicláveis e solenes.Levei a arte a sério, acreditei nas teorias e trouxe tudo isso para o cotidiano. Quero deixar registrado.O Bestiario Domestico, de agora em diante,sem acentos,começa a digitalizar meu acervo.Gostaria de saber quem escreveu o seguinte texto:
Idealmente,eu deveria conseguir me tornar kitsch.Quando tem êxito,a arte consiste em produzir novos clichês, portanto,se o que faço,verdadeiramente, tem êxito,deveria ser considerado uma fonte de futuro Kitsch.Esse, seria o verdadeiro sucesso. Um novo tipo de kitsch depressivo,talvez. Tenho muita esperança.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

4. garrafas


Estava pasma,que estranho diálogo.E os sapatos então... não permitiam nenhuma dúvida,estava diante de uma pessoa muito especial.Absorta nestas considerações, nem observei que a barca atracara e perdi PS (assim passei a nominá-la)de vista.Corri em vão atrás dos sapatos vermelhos embaralhados na confusão dos pés nervosos.Na multidão ou no estouro da boiada (assim era chamada a abertura das cancelas),esperei que o fluxo humano se desfizesse na esperança de encontrar PS.No porto,sozinha,olho para o mar e encontro, quase caindo na água,um pé do sapato vermelho esmagado.
Recolho os restos do que foi um sapato e sigo meu caminho. Até hoje não me conformo em ter perdido de vista aquela mulher,com um diálogo tão profundo.Não riam de mim, naquela época,achei essa conversa tudo de bom.Não é fácil encontrar uma pessoa com as mesmas referencias.
Hoje percebo claramente,que aquele encontro foi fundamental para minha vida.Continuo obcecada por sapatos e pelas palavras capazes de operar milagres. O fantasma de PS me persegue e me diz que é possível um diálogo entre humanos.Que as palavras servem para dar nome, até para o que não existe.